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APASE
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Associação de Pais e Mães Separados |
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Artigo publicado na folha de São Paulo 26/03/2002 |
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Estudo aponta custódia conjunta como a melhor opção para filhos de
divorciados |
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Filhos
de pais divorciados tendem a sofrer menos sob um regime de custódia conjunta --
seja física ou legal -- do que aqueles que só interagem com um dos pais,
revelou um estudo recente de grande abrangência.
As
crianças que vivem em regime de custódia conjunta possuem menos problemas
comportamentais e emocionais, tendo maior auto-estima, melhores relações
familiares e desempenho escolar mais elevado do que aquelas crianças que ficam
sob a custódia de apenas um dos pais, geralmente a mãe, é o que afirma o
relatório publicado na edição de março do Journal of Family Psychology,
editado pela Associação Psicológica Norte-Americana.
"Isso
não significa que aqueles indivíduos em custódia única sejam clinicamente
mal-ajustados ou que precisem de algum tipo de terapia", afirma o
pesquisador e psicólogo Robert Bauserman, do Departamento de Saúde e Higiene
Mental de Maryland. "O que o estudo indica é apenas que, na média, eles não
se saem tão bem".
Essas
recentes descobertas são as últimas novidades no seio de uma polêmica em
andamento sobre qual seria o melhor arranjo para crianças filhas de pais
divorciados. Essa meta-análise, ou estudo científico de vários trabalhos apóia
solidamente a idéia de que ambos os genitores dividam todos os aspectos da vida
da criança, contanto que ambos sejam pais responsáveis.
O
estudo define custódia conjunta como sendo custódia física, na qual a criança
passa uma parte do seu tempo com cada um dos pais, ou custódia legal
compartilhada, na qual a criança mora com um dos pais, mas ambos dividem as
decisões referentes ao filho. Segundo os especialistas, isso mantém o pai
envolvido, o que ajuda a criança a se ajustar ao divórcio.
Bauserman
examinou 33 estudos que analisaram 1.846 casos de custódia única, e 814 casos
de custódia conjunta, bem como crianças que viviam com 251 famílias intactas
tradicionais.
Ele
descobriu que a maior parte dos estudos demonstra que as crianças vivendo sob
regime de custódia conjunta estão virtualmente tão bem ajustadas quanto
aquelas que vivem em famílias tradicionais, "provavelmente porque a custódia
conjunta dá à criança uma oportunidade de ter contato com ambos os
genitores".
Tais
descobertas contradizem os especialistas que acreditam que a custódia conjunta
abala a estabilidade da vida de uma criança, já que ela oscilaria entre os
dois genitores. Tais especialistas alegam ainda que a custódia conjunta seria
prejudicial porque deixaria as crianças expostas às brigas sem fim entre os
pais.
Mas
Bauserman especula que, ao contrário dessa visão, os pais que contêm a sua
raiva no momento do divórcio podem manter uma relação produtiva no regime de
custódia conjunta.
Eles
são capazes de continuar sendo pais conjuntamente, sem uma grande carga de
rancor, segundo Bauserman. São os pais com custódia única que exibem níveis
altos e persistentes de conflito sobre decisões a respeito dos filhos com os
seus ex-parceiros.
Quase
todos os Estados norte-americanos oferecem uma opção de custódia conjunta,
diz Bauserman, embora muitos juízes ainda favoreçam a custódia maternal e se
oponham à custódia física conjunta.
Alan
Booth, sociólogo e pesquisador da Pennsylvania State University, afirma que a
pesquisa de Bauserman é sólida. "Isso é muito consistente com o que
temos descoberto. Se os casais forem capazes de cooperar na custódia conjunta,
seria de se esperar que as crianças se beneficiassem disso", afirma Booth.
Embora
a custódia conjunta possa parecer uma boa medida, ela não significa que os
pais deixarão automaticamente de entrar em conflito, adverte Lynne Gold-Bikin,
ex-diretora da Seção de Direito Familiar da Associação Norte-Americana de
Advocacia. "É óbvio que as crianças se sairão bem caso os pais
continuem a cuidar bem dos filhos após o divórcio", diz ela. "Mas
estamos falando sobre pais que, quando eram casados, não conseguiam concordar
sequer quanto ao creme dental utilizado. Por que então eles se dariam bem após
o divórcio?".
Tradução:
Danilo Fonseca |
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