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APASE
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Associação de Pais e Mães Separados |
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GUARDA COMPARTILHADA |
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A IMPORTÂNCIA DE AMBOS OS PAIS NA VIDA DOS FILHOS |
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POR EVANDRO LUIZ SILVA[1] – CRP 12/01835 |
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“(...) Pensar que a guarda deva ficar somente com um dos cônjuges,
para que a criança não perca o referencial do lar, é um equívoco. O
referencial a não ser perdido é o dos pais. A criança filha de pais separados
vai adaptar-se à nova vida, criará o vínculo com duas casas. Permitir à
criança o convívio com ambos os pais deixa-a segura, sem espaço para o medo
do abandono. (...)” (SILVA, Evandro Luiz) |
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Hoje
no atendimento psicológico a crianças, a grande demanda vem de menores filhos
de pais separados, que chegam ao consultório com sintomas surgidos quando da
separação dos pais. No entanto, é notável que a origem desses sintomas não
tem ligação direta com o distrato do casamento, prendendo-se, antes, à falta
causada pela ausência do pai ou da mãe – o genitor que não detém a guarda.
Na grande maioria dos casos, os sintomas apresentados são: dificuldades
cognitivas acompanhadas de declínio do rendimento escolar, ansiedade,
agressividade e depressão. Não se dando a devida importância a esses
sintomas, dependendo da idade da criança eles interferirão no seu processo de
estruturação psíquica. A ausência de um dos pais na vida do filho se dá
muitas vezes em decorrência de uma separação malfeita, seguida do
estabelecimento de uma guarda que de modo algum atende às necessidades do
menor.
O
tipo de guarda mais comum é aquele que segue a jurisprudência dominante, ou
seja, guarda exclusiva da mãe e visitas quinzenais do pai em finais de semana
alternados. Na prática, priva-se a criança do contato com um dos pais, uma vez
que quinze dias consiste num tempo bastante longo para a criança. A percepção
infantil do tempo cronológico é muito diferente da de um adulto, conforme
escreveu Françoise Dolto (psicanalista infantil): uma semana para um adulto
pode corresponder a um mês para a criança. Trata-se de tempo suficiente para
gerar nesta última o medo do abandono e o desapego para com aquele progenitor
que não detém a guarda. Em conseqüência, dado o papel determinante da presença
do pai e da mãe na estruturação psíquica
do menor, geram-se sintomas como os acima citados. Nesse sentido, a guarda compartilhada impõe-se como uma alternativa mais adequada à saúde psíquica da criança. Por diminuir o tempo de ausência tanto de um quanto do outro progenitor, esse tipo de guarda garante a presença de ambos os pais na sua vida, impedindo assim a sensação de abandono e o desapego na qual se originam os sintomas.
Do
ponto de vista jurídico, parece-nos que as crianças estão amparadas no que se
refere aos bens materiais através da pensão alimentícia. No entanto, a falta
psíquica/afetiva provocada pela ausência um dos pais trará conseqüências
graves de outra ordem que não a material.
Diante
dessa demanda que se apresenta hoje nos consultórios de psicologia, a partir da
prática como psicanalista de crianças, assistente técnico e mediador
na área de Direito de Família, iniciamos uma pesquisa junto a Universidade
Federal de Santa Catarina, no departamento de Psicologia – mestrado, afim de
sabermos quais as conseqüências psicológicas advindas da falta do pai ou da mãe
na vida dos filhos, a partir do estabelecimento da guarda. Encetamos a nossa pesquisa com os seguintes postulados, observados em nossa prática: na guarda exclusiva, os filhos menores sofrem com a ausência de um dos pais, podendo apresentar transtornos psíquicos; na guarda compartilhada, com a alternância de casas, tais comportamentos não acontecem ou são muito reduzidos; as crianças têm condições internas para se adaptarem a duas casas, realizando uma adaptação rápida que não dá lugar a nenhum dano psíquico; por fim, acreditamos que uma separação que atenda às necessidades dos filhos – contato freqüente com ambos os pais – traria os seguintes benefícios:
·diminuição
de estresse e maior produção (escola, trabalho, etc.);
·melhoria
na qualidade de vida;
·menor
custo num processo judicial. Com um saber estabelecido, evitar-se-ia uma
quantidade grande de perícias e diminuir-se-ia a morosidade do processo;
·diminuição
da gravidez na adolescência[2] (nota referente aos
restantes tópicos);
·diminuição
do suicídio em crianças e adolescentes;
·diminuição
do uso de drogas entre crianças e adolescentes;
·diminuição
da evasão escolar;
·diminuição
de problemas emocionais ou comportamentais;
·diminuição
de prisões de menores.
Após
extensas pesquisas e análises de jurisprudência, vimos que normalmente os
argumentos em prol da guarda exclusiva da mãe giram em torno das dificuldades
que a criança teria em adaptar-se a duas casas, e da necessidade de que ela
tenha um único referencial de lar. No entanto, não há qualquer fundamentação
técnica para tais suposições. Uma única tentativa que vimos repetidas várias
vezes em processos judiciais ou teorias psicológicas a respeito do assunto, foi
uma alusão a Françoise Dolto, com uma citação de seu livro “Quando os pais
se separam”. Nesse livro, a autora discorda com a guarda compartilhada
estabelecida em dois casos, na França. Um, porque o pai morava no Norte daquele
país e a mãe ao sul, A criança passaria
meio ano letivo com cada progenitor.
No segundo caso, o pai morava numa cidade e a mãe em outra, distantes, e a
criança alternaria metade da semana com cada genitor. Em ambos os casos a criança
teria dois colégios, e não criaria vínculos afetivos.
Concordamos
plenamente com a autora citada, pois acreditamos que a guarda compartilhada com
alternância de casas só é possível quando os pais residem na mesma cidade.
Do
ponto de vista psicológico, há boas razões que corroboram o entendimento de
que a criança já a partir dos seis meses de idade tem condições internas
para lidar com mudanças e se adaptar à realidade do mundo em que vive. Senão,
vejamos.
É
primordial para o bom desenvolvimento de uma criança que ela tenha outras referências,
para além do lar familiar. Isso pode e deve começar a acontecer desde muito
cedo, pois com um ano de idade a criança não só tem condições internas para
lidar com as situações, como se trata mesmo de uma experiência fundamental
para a sua estruturação e sociabilização, criando condições para que ela
se torne um adulto saudável. Ao contrário do que alguns pensam, a criança
desde muito pequena já precisa do contato com o mundo externo.
Segundo
Melanie Klein – psicanalista pioneira no tratamento de crianças e cujas
teorias, juntamente com as de Freud, servem de base para todo um campo, o
psicanalítico, na compreensão da mente e na análise –, a criança de um ano
de idade já pode e deve afastar-se do lar, ter outras relações, freqüentar
jardins de infância, criar outros vínculos. Já possui condições internas
para isso.
É
possível e importante afastar-se da mãe, pois é assim que a criança consegue
saber internamente que as situações boas e ruins desaparecem e voltam:
pernoitar em outra casa, ficar todo o dia numa escolinha etc.
A
autora fundamenta a sua teoria na certeza de que, ao passar por esta fase, a
criança já pode e deve manter uma relação com o mundo externo, e seu ego já
se vai fortalecendo para lidar com o que é novo e desenvolver mecanismos de
defesa.
No
desenvolvimento normal, com a crescente integração do ego, os processos de
divisão diminuem e a capacidade aumentada de compreender a realidade externa e,
até certa medida, de conciliar os impulsos contraditórios da criancinha,
conduzem também a uma síntese maior dos aspectos bons e maus do objeto. Isto
significa que as pessoas podem ser amadas apesar das suas limitações e que o
mundo não é visto apenas em termos de preto e branco[3].
E
ainda:
Durante
o segundo trimestre do primeiro ano, certas mudanças no desenvolvimento
intelectual e emocional do bebê se acentuam. A sua relação com o mundo
externo, tanto pessoas como coisas, ganha maior diferenciação. Alarga-se o âmbito
das suas gratificações e interesses, e aumenta o poder de expressar as suas
emoções e comunicar com as pessoas. Estas mudanças observáveis são uma
prova do gradual desenvolvimento do ego. Integração, consciência, capacidades
intelectuais, a relação com o mundo externo e outras funções do ego
desempenham-se com firmeza[4].
Corroborando
esse entendimento da mente infantil, a psicanalista Arminda Aberastury escreve:
“Já na Segunda metade do primeiro ano, a criança precisa explorar o mundo e,
além disto, distanciar-se da mãe”[5].
Esse distanciamento é essencial para que a criança possa experimentar o
estranho, desenvolver os seus mecanismos de defesas e enfrentar os conflitos
inerentes às fases do desenvolvimento.
Segundo
Freud[6],
o movimento da criança para além do lar e em direção ao mundo exterior vai
propiciar ao ego desenvolver meios adequados para fazer frente às ansiedades
atinentes àquele momento e modificá-las.
Freud
considera que a partir de um ano de idade as crianças começam a entender que
as pessoas vão e voltam; que os pais saem para trabalhar e depois retornam; que
elas vão à escola e depois voltam para casa etc. Tratam-se de situações
essenciais para o bom desenvolvimento das crianças. Ou seja, vão-se adaptando
diante das exigências do seu meio.
Por
conseguinte, não podemos evitar as frustrações da criança, pois estas são
inevitáveis e as ajudam a enfrentar os seus sentimentos, “porquanto a própria
experiência de que a frustração é superável pode fortalecer o ego, e faz
parte da atividade do pesar que serve de apoio à criança no seu esforço para
eliminar a depressão”[7].
É
importante que a criança entre em contato com a ansiedade de separação, para
finalmente poder amadurecer e tornar-se um adulto saudável.
Freud
diz que “a ansiedade descreve um estado particular de esperar o perigo ou
preparar-se para ele, ainda que possa ser desconhecido”;[8]
e continua:
Não
acredito que a ansiedade possa produzir neurose traumática; existe nela algo
que protege o seu sujeito contra o susto e, assim, contra as neuroses de susto.[9]
Nos
primeiros meses da vida de uma criança, um adulto suprirá as suas
necessidades, pois o seu ego ainda é frágil para dar conta de semelhante
tarefa. Em torno dos seis meses, o ego está bem estruturado, podendo a criança
entrar em contato com os seus conflitos para que o seu ego vá se fortalecendo,
para que ela possa defender-se. O conflito é evolutivo, e enfrentá-lo é
essencial à adaptação.
O
ego é a parte organizada do eu, é o que possibilita as relações com o mundo
externo, sendo o pólo defensivo da personalidade. Segundo Melanie Klein, o ego
opera desde o nascimento e “tem a importante tarefa de defender da
ansiedade”.[10]
O ego é também “mediador entre os acontecimentos internos e externos”[11].
Inúbia
Duarte, psicóloga e psicoterapeuta infantil, assinala a importância do fato de
poder a criança enfrentar as diversas situações da vida para se adaptar ao
mundo externo. “Não podemos, no entanto, ajudar a prevenir atitudes que levam
a um desgaste maior de energia em prejuízo da economia interna da personalidade
da criança”;[12]
e continua: “Qualquer crescimento implica em mudança, e mudança implica em
crise. Não há evolução ou progresso sem ansiedade.”[13]
O
distanciamento por dias ou semanas pode causar na criança “medo de
abandono”, bem como o desapego com o ausente. Por isso, a guarda exclusiva com
“visitas” quinzenais de um dos pais implica em muito tempo de ausência para
a criança. O melhor é que esta pudesse estar na presença dos pais durante
largo tempo, com as suas presenças efetivas, dada a peculiaridade da percepção
psicológica do tempo para a criança, como já assinalado
anteriormente.
Logo, entendemos que o ideal é que ambos os pais tenham contato diário com os
filhos.
A
guarda compartilhada diminui o tempo de ausência dos pais. Pensar que a guarda
deva ficar somente com um dos cônjuges, para que a criança não perca o
referencial do lar, é um equívoco. O referencial a não ser perdido é o dos
pais. A criança filha de pais separados vai adaptar-se à nova vida, criará o
vínculo com duas casas. Permitir à criança o convívio com ambos os pais
deixa-a segura, sem espaço para o medo do abandono. O grau de intimidade da criança com os pais
garantir-lhe-á segurança e permitirá que ela tenha experiências para além
da extensão do lar. Crianças nestas condições adaptar-se-ão bem a situações
novas, e poderão lidar com frustrações e limites.
Arminda
Aberastury afirma a importância do fato de o bebê ou de a criança pequena ir
se acostumando com as necessidades dos pais. “A vida de uma criança não pode
anular a dos pais”[14].
Se os seus pais agora terão casas separadas, também os filhos,
consequentemente, terão duas casas, pois não é por causa da separação que
se deixou de ser pai ou mãe. Por ser inevitável que cada um tenha uma casa,
temos de permitir que a criança se adapte a essa nova situação.
Se
a criança oriunda de uma separação vier a apresentar problemas de
comportamento, este estará mais relacionado com os problemas da relação entre
os pais. Françoise Dolto, psicanalista infantil de renome mundial, faz a
seguinte consideração acerca de filhos de pais separados: “A verdadeira solução
é os pais, responsáveis pela vida de uma criança, continuarem a entender-se
para que essa criança viva a fase entre os seus dois progenitores, se possível,
e possa estar a par da sua situação; para que saiba que os seus pais, embora
divorciados, se sentem ambos responsáveis por ela.”[15]
Ainda na mesma direção, o médico Lee Salk[16]
afirma a importância do contato das crianças com ambos os genitores,
independentes de estarem separados ou não.
Assim
vejo que se os pais estão em litígio, os problemas de obstrução de contato
com o progenitor que não detém a guarda podem ficar explícitos para a criança,
pois a própria palavra “visita” já é por si só restritiva, e o
progenitor que detêm a guarda já será legalmente considerado “mais
importante”, já que é ele que tomará as decisões na vida da criança,
tendo isso um peso simbólico considerável,
podendo esta situação induzir a criança ao afastamento do outro. Logo,
mesmo em litígio, a guarda compartilhada – em termos psicológicos, é a
melhor solução para os filhos. Os filhos precisam conhecer individualmente
cada um dos progenitores, independente da idéia que um progenitor faça do
outro, ou seja, que a criança forme sua própria verdade na relação com seus
pais. Os problemas que os litígios causariam, não modificariam com o tipo de
guarda. E, para que a criança conheça intimamente seus pais, não basta
algumas horas de visita, mas sim um contato íntimo, como passar a noite, ser
levada aos compromissos, fazer as tarefas de aulas etc.
Será
normal um dos pais querer privar o outro de contato com o filho? Segundo Arminda
Aberastury, “quando se separa um filho de um dos pais, algo pode perder-se
definitivamente”.[17]
Neste sentido, escreve Françoise Dolto: “(...) quando o pai está ausente, e
para todas as crianças de qualquer idade, o importante é manter o pensamento
da sua presença e confiança dele”. Diz Dolto que a mãe deve mostrar fotos
do pai para a criança, pô-la a falar com ele ao telefone para que ela escute a
sua voz, e falar muito nele.
Em
seguida à fase descrita por Melanie Klein, a criança entra no que chamou o
“complexo de Édipo”, cujo auge é por volta de um ano de idade e cuja
resolução acontece em torno dos cinco/seis anos de idade. Nesta fase, a figura
dos pais serão de suma importância no desenvolvimento emocional da criança.
Dependendo de como a criança passou por esta fase, escolherá o seu parceiro na
vida adulta, reproduzindo o seu papel na sociedade e entrando nas normas da
cultura. O interesse da criança pelo genitor do sexo oposto é muito forte, e
será a base para as suas relações sociais, para as fantasias e escolhas
objetais.
Segundo
Freud, Lacan e todos os seus seguidores, é nesta fase que o sujeito irá se
estruturar. O destino psíquico do adulto será marcado desde o Édipo. Um dos
destinos, se for mal resolvida esta fase, é a entrada na psicose.
Numa
psicose, admitimos de bom grado que alguma coisa não funcionou, não se
completou essencialmente no Édipo [e que] certos autores demonstram,
estatisticamente, que nos quadros psicóticos sempre se verifica a ausência de
um dos pais[18].
Saindo
do Édipo, a criança herda o seu superego, e a sua relação com as leis e
normas estarão marcadas para sempre.
O
Édipo intervém determinando o tipo de escolha de objeto, a identidade do
sujeito, como este e o seu desejo se constituem, seus mecanismos de defesa.[19]
Nessa
perspectiva, é incontestável a importância do pai e da mãe na vida dos
filhos: provocar a ausência de um deles é traçar o pior dos prognósticos
para uma criança. Logo, é primordial manter a criança em contato com ambos os
progenitores, e possibilitar-lhe adaptação à realidade do seu mundo externo,
das necessidades dos pais, da escola, enfim, da possibilidade que o momento
apresentar. A criança amada, que confia nos pais, consegue administrar bem a
sua nova rotina, e tem condições internas suficientes para esta adaptação,
pois o seu ego já está devidamente estruturado.
É
fundamental que os pais tenham momentos sozinhos com os seus filhos, para que
possam ter uma maior intimidade. É essencial que a criança tenha um contato diário
com os progenitores. Há momentos que são únicos e imprescindíveis, como ser
colocada na cama pelos pais; é preciso que estes possam contar-lhes uma história
antes de dormir, que possam participar das várias atividades que constituem o
dia a dia dos seus filhos. Visitas quinzenais farão pais e filhos perderem
muito, talvez com danos irreparáveis.
Lee
Salk faz brilhante comentário quando avança que, passando algum estágio sem
grande contato com os pais, o relacionamento estará prejudicado, podendo
gerar-se então um desapego com a pessoa ausente, o qual “pode conduzir a um
distúrbio de comportamento”[20].
A
noite é o momento em que afloram as fantasias, que são constituintes dos
sujeitos. E a presença dos pais nas fantasias dos filhos desde o Complexo de Édipo
– que para Melanie Klein atinge o seu auge em torno de um ano de idade –
permite a estruturação psíquica saudável da criança.
A
identificação com os pais leva a criança a, quando adulta, procurar fora as
suas relações amorosas e sociais, sendo esta procura exógena uma base para um
relacionamento saudável. Klein afirma que a identificação proveniente da infância
se torna uma parte importante da nossa personalidade, e que a “identificação
influencia a formação do caráter da criança e pode conduzi-la a repetir na
vida ulterior aquilo que ela própria sofreu”[21].
Uma
criança não é um cristal que pode partir-se por um descuido qualquer. A
rotina de uma criança pode variar sim, de acordo com as exigências externas,
pois ela precisa viver a realidade do seu meio. Se os pais estiverem seguros,
passarão segurança aos filhos, e a adaptação à nova situação será tranqüila.
Quanto à guarda exclusiva, acredito que ela seja pertinente apenas quando um
dos cônjuges apresentar algum distúrbio ou vício que possa pôr em risco a
vida do filho.
Evandro Luiz Silva
Fone
048 - 2220168
e-mail
assessoria_psicologica@hotmail.com
[1]
Psicólogo
com formação em Psicanálise: atuação em consultório; assistente técnico
e mediador em processos da vara de família; pesquisador no mestrado de
Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina, com tema “As conseqüências
psicológicas advindas da ausência do pai ou da mãe na vida dos filhos a
partir do estabelecimento da guarda”; congressista em vários eventos,
entre eles O Congresso Lacanoamericano de Psicanálise (Buenos Aires -
Argentina) e o 3º
Congresso Brasileiro de Direito de Família (Ouro Preto – MG), onde foi
palestrante; palestrante a Juízes e
Promotores da região do Rio do Sul/SC sobre o tema que pesquisa; apresentação
de trabalho no 1º Encontro Catarinense sobre Mediação, promovido pelo
Tribunal do Estado; autor de vários artigos sobre o tema aqui abordado
etc..
[2]
Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos revela que “mais de ¼ das crianças americanas –
aproximadamente 17 milhões – não vivem com os seus pais. Meninas sem um
pai nas suas vidas têm 2,5 vezes mais propensão a engravidarem na adolescência
e 53% mais chances de cometerem suicídio. Meninos sem um pai nas suas vidas
têm 63% mais chances de fugirem de casa e 37% mais chances de utilizarem
drogas. Meninos e meninas sem pai têm duas vezes mais chances de acabarem
na cadeia e aproximadamente quatro vezes mais chances de necessitarem de
cuidados profissionais para problemas emocionais ou de comportamento" (HSS
press-release, 26 de março de 1999 – Depto. de Serviços Humanos e Social
dos EUA).
[3]
Idem, ibidem.
[4]
Melanie Klein, Os progressos da psicanálise.
[5]
Arminda Aberastury, Psicanálise da Criança, pp. 274.
[6]
Sigmund Freud, criador da Psicanálise e das primeiras teorias do aparelho
psíquico.
[7]
Melanie Klein, Os Progressos da Psicanálise, p. 287-288.
[8]
S. Freud. Obras Completas. Volume
XVIII, p. 23.
[9]
Idem, p. 24.
[10]
Melanie Klein, O Sentimento de Solidão.
[11]
Melanie Klein, Os Progressos da Psicanálise.
[12]
Inúbia Duarte, A prática de Psicoterapia Infantil, p. 80.
[13]
Idem, ibidem.
[14]
Arminda Aberastury, Psicanálise da Criança, p. 270.
[15]
F. Dolto, Quando Surge a Criança,
p. 80.
[16]
Lee Salke, O que todas crianças
gostariam que seus pais soubessem.
[17]
Arminda Aberastury, Psicanálise da Criança.
[18]
Durval Checchinato, (at al.). A clínica da psicose,
p. 39.
[19]
Hugo Bleichmar, Introdução aos estudos das perversões, p. 16.
[20]
Lee Salk, O que toda criança
gostaria que seus pais soubessem, p. 167. [21] Melanie Klein, O Sentimento de solidão, p. 25. |
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