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O Globo -
Edição de 29 de junho de 2008 |
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Pais separados, mas juntos na criação dos filhos |
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Lei da
Guarda Compartilhada, recém-sancionada, já era aplicada por
Tribunais e deve ser disseminada pelo país. |
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Tatlana Farah |
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ANALDINO, Presidente da APASE -
Associação de Pais e Mães Separados, conversa com a filha
Amanda pela Internet - Distância não impede a Guarda Compartilhada. |
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• são paulo. De
pai-pipoca (que só vem às quartas e sábados) para o que aparece todo
dia, busca no colégio, ajuda ria lição de casa, brinca, ouve
segredos e dá broncas. Assim funciona a Guarda Compartilhada: a
criança pode morar com a mãe ou com o pai, mas os dois decidem
juntos como cuidar dela no dia-a-dla.
— A Guarda Compartilhada é boa para toda a família. É a
responsabilidade conjunta dos pais, respeitadas as diferenças entre
homem e mulher. Não é a divisão do tempo da criança, como na guarda
alternada (em que os filhos passam um período com a mãe e outro com
o pai)— explica a psicanalista Glselle Camará Groeninga, presidente
da Comissão de Relações Interdisciplinares do Instituto Brasileiro
de Direito de Família (IBDFam). Sancionada no dia 13 pelo presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, a Lei da Guarda Compartilhada já era
praticada timidamente nos tribunais. Na maior parte dos casos,
segundo a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), a guarda é
unilateral, ficando a criação dos filhos por conta da mãe, que
recebe a pensão alimentícia do pai.
— A Guarda Compartilhada não reduz pensão. Achar que a mulher vai
arcar com metade das despesas é falácia. Não é a realidade do
mercado. Mulheres ganham menos — diz Glselle.
A estimativa da AMB é que a Guarda Compartilhada já seja praticada
hoje em 6% dos processos familiares. Com a promulgação da Lei, a
tendência é que o número cresça. No escritório da advogada Lia
Justiniano dos Santos, metade dos casais compartilha a guarda dos
filhos. Lia dirige o Centro de Referência em Mediação e Arbitragem,
em São Paulo, e trabalha com empresas e famílias em conflito.
— O mediador ajuda a pensar as possibilidades. Multas vezes os pais
estão pensando um contra o outro e precisam ser lembrados de que têm
algo em comum. Quanto mais magoado o casal, mais difícil o acordo —
diz a advogada. |
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Mais do que culpas, discutir responsabilidade |
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Com a lei, peritos ajudam as famílias a resolver seus conflitos |
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• SÃO PAULO. Acostumadas a mediar processos de família, Lia Santos e
Giselle Groeninga explicam que é importante discutir
responsabilidades do casal, não culpas. A psicanalista Giselle diz
que a Guarda Compartilhada afasta outro fantasma: a Síndrome da
Alienação Parental, quando um dos pais faz tudo para afastar
física e emocionalmente o ex-parcelro dos filhos.
Com a nova lei, as famílias podem ser recebidas por peritos. Se os
conflitos para a decisão sobre escola, religião ou mesmo esportes
que o filho vai praticar não tiverem solução, o caso volta aos
tribunais. Mas a expectativa é que os processos de Guarda
Compartilhada sejam mais rápidos. Segundo o IBGE, em 2006 houve 101
mil separações no país, sendo 77.300 consensuais. Entre as
separações judiciais, pelo menos 67 mil eram de casais com filhos
menores. |
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"Minha filha é apaixonada pela mãe e pelo pai" |
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Distância não impede a Guarda
Compartilhada. |
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O Editor Analdino Rodrigues Paulino Neto, Presidente da APASE, brigou seis anos na Justiça
para ficar mais perto da filha Amanda. Hoje morando em São Paulo,
ele liga o computador e, pela webcam, está perto da Amanda, de 10
anos, em Goás.
— Minha irmã, em Goiás, faz a parte mais administrativa com a mãe da
Amanda. Mas a guarda é compartilhada — conta ele, presidente da APASE
-
Associação de Pais e Mães Separados.
Analdino separou-se quando a menina tinha 2,5 anos. Por dois anos
não pôde vê-la. Quando ela tinha 8, a ex-mulher pediu para porem fim
à briga. A guarda foi compartilhada.
— No início, lutei pela guarda unilateral. Meu trabalho é
independente, sou dono do meu tempo e poderia ficar mais com a
Amanda. A avó era quem mais cuidava da menina; a mãe dela era muito
jovem.
Ele conta que a filha já pediu para morar com ele, mas hoje quer
viver com a mãe: Minha filha é apaixonadíssima pela mãe e pelo pai. |
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O drama da separação vivido duas vezes |
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Pai do adolescente Guilhermi, Rogério Virgínio viveu o drama da
separação dos dois lados, como pai e como filho. Quando criança, seu
pai ficou com a guarda e o afastou da mãe, de quem perdeu contato
por 20 anos. Em sua separação, houve desavenças, resolvidas com a
Guarda Alternada. Enquanto disputava o filho com a ex-mulher,
Virgínio descobriu o paradeiro da mãe, que, com distúrbios mentais,
vivia num lixão de João Pessoa. Ele morava em Brasília, mas mudou-se
para João Pessoa e cuidou da mãe. E GuiIhermi vive com ele de novo:
— Perdoei meu pai. Ele teve motivos. Fico pensando que, se existisse
Guarda Compartilhada nos anos 70, quando eles se separaram, nossa
vida teria sido diferente. |