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O que é ser pai? A frase constitui apenas uma
pergunta, cujas respostas podem ser várias. No caso do servidor público
federal, Humberto Aveiro, uma das respostas seria: de 15 em 15 dias,
viajar de avião de Brasília ao Rio, pegar um ônibus até Cabo Frio, arcar
com despesas de hotel, tudo isso para se fazer presente na vida de dois
importantes tesouros, as filhas Camilla, de 8 anos, e Helena, de 5. Esse é
só mais um retrato do que é ser um pai separado da esposa, que na maioria
das vezes tem a preferência da guarda dos filhos.
O que eu mais me esforço com essa situação é
para não chegar um dia em que, ao encontrar minha filhas, pareça um
estranho para elas. Por isso tento estar presente sempre, apesar das
dificuldades financeiras para me deslocar de 15 em 15 dias de Brasília
para Cabo Frio, representando um gasto que poderia estar sendo investido
no futuro delas – desabafa Humberto, que está desde quinta –feira na
cidade por conta do Dia dos Pais.
Brincando com as filhas no parque da Praça da
Bandeira, no bairro Passagem, Humberto abriu o livro de sua vida para
tocar em um assunto que, neste Dia dos Pais, deve ser lembrado por todos
que não têm a oportunidade de participar diariamente da criação dos
filhos.
Para Humberto, as leis que constituem o Código
Civil Brasileiro ainda contém aspectos preconceituosos com relação à
participação dos pais na educação dos filhos.
- Nesse sentido nossa Justiça se mostra
preconceituosa ou machista, não sei bem ao certo. Porque para o universo
judiciário, os pais, ou seja, os homens, são menos capazes, por serem
menos sensíveis do que as mulheres, para criar seus filhos sozinhos. Desde
o início que eu sempre dei banho, troquei fralda, dei mamadeira e acordei
no meio da noite quando elas perdiam o sono ou quando ficavam doentes.
Por que um pai não possui os mesmos direitos que as mães, se nem sempre
elas estão aptas a educar os filhos^? – questiona ele.
A parte difícil da história deste pai de 45 anos
começou há três anos, quando se separou da esposa. Após o divórcio, ficou
estabelecido por um juiz que Humberto teria direito a guarda compartilhada
das filhas, mas pouco depois disso, a esposa se mudou de Brasília, onde
morava, para Cabo Frio e desde então a rotina de Humberto tem sido a
mesma.
- Em 90 % dos casos de separação, os pais passam
por dificuldades que refletem na relação deles com os filhos. No meu caso,
se eu quiser vê-las, preciso fazer essa maratona toda, pois do contrário
não teria condições de participar na vida delas – frisa Humberto.
Mesmo falando com o pai todos os dias pelo
telefone, a pequena Camilla, de 8 anos, não esconde a saudade que sente
dele.
- Tem vezes que ele não pode vir, aí tenho que
esperar a outra vez dele ver a gente para poder brincar com ele – conta
ela, montada nas costas do pai.
Perguntado que presente gostaria de ganhar,
Humberto termina dizendo que se pudesse pedir um presente de Dia dos Pais
ele pediria:
- Mudanças. Gostaria que a sociedade
reconhecesse que o papel dos pais se transformou nos últimos anos. Os
homens estão cada vez mais familiares e participativos na vida dos filhos.
Isso deve ser incentivado, e não barrado por privilégios dados às mães.
Não que as mães não sejam importantes. São, e muito. Mas não são mais, ou
menos que os pais – finaliza. |