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A 11 de Janeiro, o Tribunal do Seixal
retirou-lhe a guarda de Ana Catarina e entregou-la à mãe, que a abandonara com
18 meses. Serafim, pescador na Caparica, jamais irá esquecer a despedida na PSP
de Almada. A filha lançou-lhe os braços à volta do pescoço e perguntou-lhe: "Eu
volto e tu esperas por mim, não esperas?". Serafim não tem feito outra coisa
senão esperar. "Mal come e passa o tempo a chorar", dizem os vizinhos.
Ana Catarina foi para Lisboa. "Sinto uma revolta muito grande. Eu fui pai e mãe
durante muitos anos. Sempre estive com ela todos os dias. Agora só me deixam
vê-la duas vezes por mês", conta indignado. O coração de Serafim apertou-se
ainda mais quando notou que Ana Catarina já não era a mesma menina alegre. “Ela
está triste. Toda a gente vê isso.”
Na modesta casa de Serafim há fotos de Ana Catarina por todo o lado. O quarto
continua como ela o deixou. As bonecas arrumadas nas prateleiras e os vestidos
no guarda-roupa. "Ela tem tudo o que precisa aqui", diz Serafim, que não
percebeu porque a levaram. "Só pode ser por eu ser pobre, mas com a mãe ela não
vive em melhores condições". E pergunta: “Será preciso fazer alguma loucura?”
Serafim é um homem despedaçado, sem vontade para nada. As redes estão em terra.
O mar está lá. E até este lhe parece mais triste.
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