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A
mãe de Simon anuncia que ele ficará com o tio nesta noite. Stephanie
ganhou três novos irmãos de uma só vez. Luciana tenta entender por
que o pai arrumou uma namorada. Thomas tem duas casas. Renato e Flavinha
decidem conhecer como são as famílias dos alunos e funcionários da
escola onde estudam.
São
seis crianças e adolescentes que tiveram de incluir em seu processo de
amadurecimento a aceitação de uma nova configuração familiar, após
a separação dos pais. Apesar de inseridos em uma mesma situação, são
originários de mundos completamente distintos.
Stephanie
e Thomas moram em São Paulo, vão à escola todos os dias e aprendem a
entender o ambiente em que vivem. Já Simon, Luciana, Renato e Flavinha
são personagens fictícios, protagonistas de lançamentos editoriais
que mostram que o preconceito com o divórcio ficou preso a décadas
passadas e o desafio atual é a busca pela harmonia, sem modelos certos
ou errados.
Representam
a inclusão da temática em produtos voltados para as próprias crianças
– até então, as prateleiras das livrarias estavam repletas apenas de
títulos que buscavam orientar, analisar ou confortar os adultos
envolvidos na questão e os profissionais e pesquisadores que se
dedicavam ao tema.
“Uma
história bem contada ajuda crianças e adolescentes a entenderem as várias
nuances das relações familiares. Formam um ponto de identificação”,
afirma a escritora e professora Anna Cláudia Ramos, autora do livro
infanto-juvenil Não é Bem Assim
a História (Editora Difusão Cultural do Livro, 45 páginas, R$
18,00). “O livro não diz se as situações são boas ou ruins, mas
tenta mostrar que a família pode ser como é, desde que seja boa”.
Mãe
de dois filhos pré-adolescentes e separada há oito anos, Anna conta
que escreveu o livro após ouvir relatos de familiares e conhecidos. Seu
objetivo, diz, é transmitir para os leitores a percepção de que “a
vida não vem com um manual de instrução”.
Para
isso, criou Renato, um pré-adolescente inconformado com a notícia de
que seus pais não vão mais viver juntos, e Flavinha, a amiga disposta
a mostrar que há outras formas de convivência familiar. Juntos eles
encontram pessoas que têm relatos tristes e felizes: a criança que não
conhece o pai, a que se sente abandonada mesmo com todos os integrantes
morando na mesma casa, a que conheceu a família depois de anos
procurando, a que mora com os pais do mesmo sexo.
Exemplos
de modelos cada vez mais presentes e aceitos na sociedade brasileira
desde a instituição do divórcio, em 1977. Segundo dados do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 1984 foram 62.500 divórcios
no País – desses, 52 mil ocorreram em casais com filhos. Em 2002, os
números saltaram para 97.200 no total, sendo 79.200 em famílias com
crianças. |