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Com quem será/com quem será/que o fulano vai casar/vai depender se a
fulana vai querer/Ela aceitou/ela aceitou/teve muitos filhos/e depois se
separou. A tradicional brincadeira após o parabéns ganhou uma estrofe nova
nas festas infantis, embalada por vozes de crianças que se divertem com um tema
tão presente, direta ou indiretamente, em suas vidas. A cada ano, 200 mil crianças
vêem seus pais se separar nas regiões metropolitanas do Brasil. Mas isso é
ruim?Há cinco anos a socióloga americana Judith Wallerstein ganhou manchetes
de jornais e revistas anunciando que filhos de pais divorciados tinham mais
problemas emocionais, menor rendimento escolar e pior auto-estima que os filhos
de casais ''estáveis''. Não era apenas um palpite: ela acompanhou por 19 anos
um grupo de famílias de classe média. Sua conclusão era de que os casais
deveriam lutar para se manter juntos, pelo bem-estar das crianças. O que poucos
se deram ao trabalho de noticiar é que, nos anos seguintes, o estudo de
Wallerstein foi detonado pela comunidade científica, que apontou uma série de
falhas - e trouxe à tona trabalhos mostrando um quadro diferente. Sobre o livro
de Wallerstein, descobriu-se que as 131 crianças estudadas vinham de um único
condado da Califórnia, filhos de casais problemáticos, recrutados com a
promessa de terapia gratuita. Metade dos pais e mães do estudo tinha problemas
psiquiátricos, dos quais 20% eram considerados ''severos'', que resultavam em
passagens policiais e tentativas de suicídio. Cerca de 30% dos casais haviam
sido obrigados a subir ao altar por causa de uma gravidez inesperada, e metade
das mães era desempregada crônica, do tipo condenado a viver do
seguro-desemprego. Um em cada quatro maridos batia na mulher diante dos filhos.
Nesse contexto, dizer que os problemas das crianças vinham do divórcio é, no
mínimo, um exagero.
Após o estudo de
Wallerstein, surgiram outros tantos com conclusões
opostas. A socióloga Constance Ahrons, de Wisconsin, acompanhou por 20 anos um
grupo de 173 filhos de divorciados. Ao atingir a idade adulta, o índice de
problemas emocionais entre esse grupo era equivalente ao dos filhos de pais
casados. Mas Ahrons observou que eles ''emergiam mais fortes e mais amadurecidos
que a média, apesar - ou talvez por causa - dos divórcios e recasamentos de
seus pais''.
Ahrons foi criticada por motivos opostos aos de Wallerstein (o
grupo seria muito ''classe média'', o índice de alcoolismo na amostra era
menor que o padrão na população americana). Mas outros trabalhos apontaram
para conclusões semelhantes. Dave Riley, professor da universidade de Madison,
dividiu os grupos de divorciados em dois: os que se tratavam civilizadamente e
os que viviam em conflito. Os filhos dos primeiros iam bem na escola e eram tão
saudáveis emocionalmente quanto os filhos de casais ''estáveis''. Os do
segundo grupo tinham mais problemas, mas em proporção semelhante à dos filhos
de pais casados que viviam brigando. Segundo ele, são cinco os fatores que
podem prejudicar as crianças do divórcio:
- Se o pai ou a mãe ''desaparece'' após a separação.
- Se as crianças passam por dificuldades econômicas.
- Se o número de irmãos é muito grande (fica mais difícil cuidar de todos).
- Se o adulto que tem a guarda ou algum dos filhos sofre de depressão
prolongada.
- Se o divórcio faz a criança se afastar de sua rede de amigos e parentes -
por exemplo, mudando de cidade. |
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Os problemas dos filhos nascem do conflito,
não do divórcio |
Segundo o IBGE, houve mais de 126
mil separações oficiais em 2002, três vezes mais que a média
da década de 70
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Uma família unida é o ideal para uma criança, mas é possível apontar
pontos positivos para os filhos de separados. ''Eles amadurecem mais cedo, o que
de certa forma é bom, num mundo que nos empurra para uma eterna dependência.
Na classe média, com novos casamentos, há uma ampliação das figuras próximas,
padrastos, madrastas. Quando eles mantêm um relacionamento saudável com a
criança, promovem um aumento de sua auto-estima e segurança. Sem falar que oferecem experiência de vida diversas, importantes na formação pessoal'',
explica o psicólogo Bernardo Jablonski, da PUC do Rio de Janeiro. ''Eles também
aprendem mais cedo a negociar, barganhar. E desenvolvem grande poder de adaptação
a novas realidades, mais do que muitos adultos.'' A psicóloga Maria Teresa
Maldonado observa que essas crianças têm uma vantagem, que é a de raramente
ser superprotegidas. ''O tempo passado com os pais separados, por ser menor,
tende a ganhar em qualidade'', diz. Para a terapeuta infantil Vitória Duarte
Pereira, quem não tem mais os pais casados experimenta mais cedo o poder de
escolher. ''Aprender a optar é uma das coisas mais importantes e também mais
difíceis para o ser humano. Essas crianças aprendem o que é isso
precocemente, o que pode ser útil no futuro'', diz.
Os irmãos catarinenses Matheus, de 11 anos, e Gustavo, de 8, são bom
exemplo: são doces, inteligentes, ótimos alunos. Entre os colegas em Florianópolis,
mostram-se extrovertidos, líderes, criativos. Seus pais, o psicólogo Evandro
Luiz Silva e a administradora de empresas Patrícia, separaram-se há quatro
anos, mas trataram de não fazer disso um trauma na vida dos filhos. Um novo
apartamento para Evandro foi procurado com a ajuda dos garotos, a empregada
passou a trabalhar nas duas casas e a própria Patrícia ajudou na organização.
Matheus fala do vai-e-vem com naturalidade: ''Não sinto tristeza por ter os
pais separados. Meu pai e minha mãe brincam mais comigo do que antes'', admite.
Evandro acredita que os filhos são maduros para a idade. ''São capazes de
conversar sobre tudo'', diz.
A carioca Helena
Patti, de 15 anos, também derruba os mitos em torno dos
supostos problemas dos filhos de pais separados e se mostra responsável e com
alta capacidade de compreensão do mundo. No 1o ano do ensino médio ela sempre
teve notas altas e é uma das primeiras alunas do Colégio Saint John, na Barra
da Tijuca. ''Helena é bem resolvida, sabe negociar dentro e fora de casa'', diz
sua mãe, a professora Daniela Patti. A adolescente afirma que nunca se sentiu
diferente. ''Metade dos meus amigos tem pais separados, são duas realidades
possíveis'', diz. A idéia de que uma separação bem administrada, aliada à
manutenção da convivência com os pais, não só não prejudica o bem-estar
dos filhos, como lhes confere algumas vantagens, cresce entre psicólogos e
terapeutas familiares.
Para a educadora Tania
Zagury, autora de best-sellers como Limites sem
Trauma e Os Direitos dos Pais, um dado importante na vida dos filhos
de divorciados são as regras diferentes na casa do pai e na da mãe. ''É um
aprendizado importante para que se tornem adultos capazes de enfrentar o
mundo'', diz. Se na casa da mãe comem biscoito no sofá, pode acontecer de o
pai não deixar. Se no apartamento do pai dormem tarde, têm de aceitar que a mãe
os coloque na cama às 10 horas. ''Essas situações acabam sendo uma boa escola
de adaptação a regras sociais e confronto com a adversidade'', diz Eliane
Nazareth, terapeuta de família e pioneira na atuação como mediadora na Justiça
de São Paulo.
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ALUNA NOTA 10 - Helena, filha de pais separados, é a primeira
aluna da sala e se destaca pela liderança. "Nunca me senti
diferente. Metade dos meus amigos não tem mais os pais
casados", diz.
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CASAMENTO, SIM! Apesar de ter os pais separados desde criança,
Renata Cunha continuou acreditando que é possível ser feliz a
dois. Está casada e tem um filho de 5 anos.
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Na contramão dos EUA e da Europa, em 91%
dos casos de separação no Brasil a guarda das crianças é exclusiva
da mãe
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Nas separações oficiais no Brasil, todo ano cerca de 200
mil filhos (crianças, na maioria)vivenciam o fim do casamento
dos pais
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Um dos elementos mais decisivos para o bem-estar dos filhos de casais
separados é que o pai (ou a mãe) não se torne uma figura distante. Para isso,
o empresário Marcelo Talarico mudou-se de São Paulo para Brasília, para onde
a ex-mulher se mudara levando os filhos Marco Antônio, de 11 anos, e Gabriel,
de 9. Há dois anos na nova cidade, Talarico busca os meninos na escola quase
todos os dias, leva-os ao futebol de salão três vezes por semana e alterna os
sábados e domingos com a mãe. Marco e Gabriel dão o troco em alegria e
carinho, mostrando quanto prezam a convivência com o pai. ''Adoram a escola e são
muito responsáveis'', elogia Marcelo, que optou por um relacionamento franco
com os meninos. ''Eles me perguntam tudo: sobre o divórcio da mãe deles, sobre
algum tipo de desgaste que de vez em quando acontece. Procuro deixar tudo claro
e mostrar que eles são sempre o mais importante'', diz.
A terapeuta Maria Teresa Maldonado diz que hoje o estudo de família não
trata mais os filhos de pais separados como problemáticos em potencial.
''Qualquer organização familiar, de casal casado ou separado, pode ser harmônica
ou desarmônica. O que determina isso é o nível de conflito'', afirma. Claro,
não é sempre que tudo vai às mil maravilhas. Muitos pais e mães separados
costumam verbalizar sua raiva do ex-cônjuge na frente da criança e às vezes
tentam destruir a imagem do outro para o filho. ''Nesses casos, a criança vive
o chamado trauma da deslealdade, em que se sente obrigada a tomar partido de um
dos pais. Isso, sim, afeta sua auto-estima e segurança'', diz.
Para Elaine Nazareth, o cabo-de-guerra em torno de guarda e visitação é o
que de pior pode acontecer para a criança cujos pais estão se separando.
''Quem tenta afastar a criança do convívio com o outro pode acabar perdendo a
confiança do filho. É o chamado efeito bumerangue'', diz. Esse problema
geralmente aparece quando a ex-mulher tenta impedir ou atrapalhar a visita do
ex-marido. ''A atitude hostil de uma mulher em relação ao pai é percebida
pela criança, que muitas vezes é atraída para o outro lado. As mães devem
ter uma visão de longo prazo ou se arrependerão no futuro'', diz a terapeuta,
que já cansou de ver crianças cujas mães impediam a presença do ex-marido
preferirem morar com o pai ao se tornarem adolescentes.
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PAIS UNIDOS - Ao ter que brigar na Justiça para conseguir mais
tempo com o filho Lucas, o fotógrafo mineiro Rodrigo Dias criou
uma associação para discutir e defender os direitos dos pais
separados.
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DIFERENTE - Ana Paula, com Paulo e Ana Maria: Há 25 anos, era a
única na turma e no prédio a ter os pais separados: "Acho
que muita gente me olhava com pena, mas, com a amizade deles,
superei", diz.
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Nos anos 70, alguns colégios recusavam filhos de pais separados
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Segundo pesquisa da PUC-RJ, 71%
dos jovens universitários com pais separados continuam querendo casar
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Além de uma convivência harmônica entre o casal - que deixou de ser marido
e mulher, mas ainda é pai e mãe -, outro ponto importante é desviar a criança
o menos possível de sua rotina antes da separação. Há muitos homens que,
ainda casados, são verdadeiros pais de fim de semana e, depois da separação,
decidem brigar por igualdade de convívio. Muitas vezes a criança,
especialmente se for pequena, não vai querer ficar com ele.
Para garantir a convivência com ambos, tem ganho terreno no Brasil a guarda
compartilhada. O assunto é alvo de três projetos de lei no Congresso Nacional.
Nesse tipo de guarda, pais e mães dividem igualmente direitos e deveres. ''Não
significa que a criança deverá ter um convívio exatamente igual entre os
pais. Cada um tem seu trabalho e sua disponibilidade. O que a guarda
compartilhada institui é que qualquer decisão relativa à criança não pode
ser unilateral'', diz o advogado de família Paulo Lins e Silva. Uma vez
sancionado o projeto, ele será incluído no Código Civil e juízes deverão
tratá-lo com prioridade nas sentenças de divórcio. O atual Código Civil não
é claro sobre a guarda, diz apenas que fica com a criança o cônjuge que tiver
''melhores condições''. Já a Lei do Divórcio, de 1977, dá prioridade à
figura materna.
As mães têm a guarda em 91% dos divórcios concedidos no Brasil. Só quando
o juiz considera que a mãe tem problemas sociais ou emocionais graves perde a
guarda do filho - como foi o caso da atriz Vera Fischer, que há cinco anos
tenta na Justiça reaver a guarda do filho Gabriel, de 12, hoje responsabilidade
do pai, o também ator Felipe Camargo. O cenário totalmente favorável às mães
reproduz a tradicional idéia de que crianças são espaço da mulher, e acaba
dando margem para que filhos acabem sendo usados como moeda de negociação e
instrumento de vingança - sempre prevalecendo a idéia de que cabe à mãe
criar e ao pai pagar.
O governo federal quer aprovar o projeto da guarda compartilhada de autoria
de Tilden Santiago, deputado federal pelo PT e hoje embaixador do Brasil em
Cuba. Ele tem apoio de políticos importantes como o governador de Minas Gerais,
Aécio Neves - ele próprio um descasado. Há juízes que se antecipam ao
projeto e já concedem a guarda compartilhada. ''A sociedade muda e a lei tem de
acompanhar'', diz o advogado Francisco José Cahali, diretor do Instituto
Brasileiro de Direito de Família (Ibdfam). Há nove anos atuando em varas de
família de Curitiba, a juíza Lenice Bodstein é conhecida pela defesa da causa
e coleciona sentenças que dão a guarda aos dois. ''De acordo com a Constituição,
o poder familiar é igualitário durante o casamento. É injusto que na hora do
divórcio o pai passe a mero coadjuvante'', diz a juíza.
Com o objetivo de defender os direitos dos pais e discutir questões
relativas aos filhos, foram criadas associações como a Associação de Pais
Separados (Apase) - www.apase.org.br
-, com representantes em todo o Brasil, e a Participais (www.participais.com.br),
de Brasília. Em Belo Horizonte, o fotógrafo Rodrigo Dias criou a Pais para
Sempre depois que teve de ir à Justiça brigar por seu direito de conviver mais
com o filho Lucas, hoje com 9 anos. O conflito foi superado com a participação
do próprio menino, que manifestou seu desejo de estar mais com o pai. Hoje, a
situação tranqüila fez de Lucas um menino inteligente e curioso, um dos
melhores alunos da turma.
O analista de sistemas Kléber Cruz, de 33 anos, de Brasília, tem a guarda
compartilhada da filha Luíza, de 5, com a ex-mulher. Como conseqüência, tem
enorme convívio com a menina: dois dias durante a semana e fins de semana
alternados. ''Como não ficamos juntos sempre, o tempo que passo com minha filha
é só dela, tem muito mais qualidade do que quando eu era casado'', diz Kléber.
Por coincidência, sua atual mulher, a advogada Deirdre Aquino, também divide a
guarda da filha, Dara, com o ex-marido. Hoje Dara e Luíza, unidas como irmãs,
são crianças seguras e felizes, com extrema facilidade de convívio social, o
que é sempre destacado nas reuniões escolares.
Segundo pesquisa recente da Escola de Profissionais de Psicologia da Califórnia,
crianças cuja guarda é dividida entre os pais têm ego e superego mais forte e
maior auto-estima que as crianças que têm convívio freqüente apenas com um
dos pais. As crianças que têm ambos participando de sua rotina apresentam
menos agressividade e impaciência. O nível de felicidade e satisfação dessas
crianças é idêntico ao das que vivem em lares intactos e harmônicos, o mesmo
ocorrendo em relação ao desempenho escolar.
Nem sempre esse cenário esteve apenas nas mãos do casal que se separa.
Houve um tempo em que o preconceito era forte e resvalava na criança. Algumas
escolas nem sequer aceitavam matrícula de filhos de pais separados. Até os
anos 70, quando os casos de divórcio começaram a aumentar, era comum pais
afastarem seus filhos de crianças cujos lares haviam sido desfeitos. ''Ainda
hoje há preconceito em alguns lugares, como cidades pequenas e bairros
conservadores'', diz Maria Teresa Maldonado. A administradora de empresas
carioca Ana Paula Latini, de 35 anos, viveu a separação dos pais quando tinha
apenas 11, nos anos 70. Era a única da turma da escola cujos pais não eram
casados. A mesma coisa acontecia com seu grupo do prédio. Sofreu por ser
diferente, mas a dedicação dos pais a fez superar possíveis crises. Sempre
fez questão de manter o convívio com o pai, Paulo, bancário. Durante toda a
sua adolescência, ao sair do trabalho, Paulo passava na casa da ex-mulher, nem
que fosse só para dar um beijo na filha. ''A idéia de que ele continuava na
minha vida e que eu sempre poderia contar com ele foi decisiva'', diz Ana Paula. |
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NOVA FAMÍLIA
Deirdre com a filha Dara, e o marido, Kléber, com sua Luíza: ambos
dividem a guarda das meninas com os ex-cônjuges e defendem a partilha
de direitos e deveres
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Segundo as pesquisas, crianças que convivem com pai e mãe têm
maior auto-estima do que as que são ligadas apenas a um deles
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A tradutora Renata Cunha, de 33 anos, tinha apenas 10 quando os pais se
separaram. Garante que nunca teve traumas. Ao contrário. ''Acho que ver como
eles ficaram bem depois do divórcio me ajudou a encarar o casamento e os
relacionamentos afetivos com mais leveza. Sei que, se tudo acabar, ninguém vai
morrer por isso'', diz Renata, casada e mãe de Pedro, de 5 anos.
Segundo pesquisa realizada pelo Departamento de Psicologia da PUC-RJ no ano
passado, apesar do aumento dos divórcios no país, 86% dos jovens universitários
de classe média querem casar, sendo que 75% acreditam que viverão com a mesma
pessoa para sempre. E o porcentual se mantém entre os filhos de pais separados:
71%, uma diferença apenas ligeiramente maior que a margem de erro da estatística.
A pesquisa deixa claro que o divórcio dos pais não influi decisivamente nos
desejos e nas expectativas afetivas dos filhos, e que é possível encontrar
felicidade nas experiências individuais. Não à toa uma frase é repetida
pelos terapeutas da área: a separação não acaba com a família, apenas a
transforma.
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| X |
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Como lidar com os pequenos
na hora da separação
=
Mesmo que os filhos tenham assistido a brigas dos pais, na hora da separação
deve-se manter a calma
= Os dois, juntos, devem se reunir com os filhos para informá-los da decisão.
Mesmo que sejam pequenos é possível contar uma história que ilustre o que
aconteceu
= O mais importante é deixar claro que continuarão a ser pai e mãe, apesar
de não mais casados. Mostrem sempre respeito um pelo outro e digam que serão
sempre amigos
= Expliquem que a rotina das crianças vai mudar, mas que continuarão a
conviver com pai e mãe, na casa de cada um
= É importante que os filhos saibam que terão seu espaço na casa do cônjuge
que sair
= Os pais devem permitir que os filhos se manifestem sobre a separação,
mesmo que de forma triste ou agressiva, e explicar exaustivamente a decisão
= Filhos que agem muito tranqüilamente à decisão muitas vezes escondem seus
verdadeiros sentimentos, o que pode ser prejudicial num futuro próximo. Os
pais devem puxar assunto com eles
= Fazer com que avós, tios ou outros adultos de confiança também conversem
com as crianças sobre a separação pode ajudar
= Importante deixar claro, o tempo todo, que os filhos não têm nenhuma culpa
em relação ao divórcio
= Façam referência a crianças conhecidas que vivem a mesma situação,
para que não se sintam diferentes ou inferiores
= A escola e outros lugares onde as crianças exercem atividades devem ser
informados da separação, para que observem possíveis mudanças de
comportamento
= Uma vez separados, os pais não devem utilizar as crianças como
mensageiras de recados
= Não é bom discutir questões como dinheiro ou regras de visitação
diante das crianças, especialmente se houver algum tipo de discordância sobre
o assunto. É recomendável debater essas questões em outro momento
= É importantíssimo não falar mal do ex-cônjuge na frente dos filhos,
seja em que momento for
= Se, no início, as crianças manifestarem algum desejo de não ficar na casa do
pai ou da mãe que tiver saído de casa, é bom respeitar sua vontade.
Mas insistindo para que haja uma rotina de convivência com os dois. Isso
garante que elas tenham pai e mãe como referência emocional
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O que os filhos de pais separados sabem a mais que os outros
Ruptura - A experiência de passar pela separação dos pais e
administrar o impacto emocional disso leva as crianças a amadurecer seu papel
na família
Relativização - Quando os pais convivem bem, o filho acaba tendo
dois lares. São casas diferentes, com ambientes e regras internas distintas.
Torna os filhos mais flexíveis
Maturidade - Os filhos acabam tendo proximidade com mais adultos -
padrastos, madrastas, namorados dos pais. Convivem mais cedo com assuntos e
problemas de gente grande
Companheirismo - Muitas vezes têm mais atenção dos pais, já que o
convívio parcial promove um desejo de maior qualidade do tempo juntos. Também
desenvolvem maior cumplicidade
Amor - Tendem a não idealizar casamento e família tradicionais, o
que pode ajudar nos relacionamentos afetivos futuros
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O QUE É A GUARDA COMPARTILHADA?
É quando pais e mães divorciados dividem direitos e deveres relativos aos
filhos. Guarda compartilhada não significa necessariamente que haja convivência
igualitária entre os filhos, mas sim que toda e qualquer decisão sobre eles
deve ser conjunta
COMO ESTÁ NO BRASIL
Não consta do novo Código Civil, que entrou em vigor em 2002. Em casos de
separação amigável, cada vez mais juízes têm dado a guarda compartilhada a
pais separados que assim desejam. Projeto de lei no Congresso pode incluí-la
como prioridade nas separações, consensuais ou litigiosas
PARA QUE SERVE O MEDIADOR?
É um profissional escolhido pelo juiz para ajudar nas negociações. Pode
ser um psicólogo, assistente social ou mesmo um juiz que atue como mediador.
Ele é mais importante nos casos de guarda compartilhada.
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Madrasta do bem
Professora lançou livro que ensina o caminho para ser
uma boa madrasta
Madrastas,
assim como padrastos, são personagens quase sempre presentes na vida
dos filhos de pais separados. Ao contrário do que apregoam histórias
infantis como Branca de Neve e Cinderela, o convívio destas com seus
enteados pode ser uma experiência não só bem resolvida como
prazerosa. Há dez anos a professora paulista Roberta Palermo, de 35,
começou a namorar o pai de duas crianças. Eles se casaram e ela se viu
no difícil papel de ajudar a cuidar dos meninos. A partir de sua experiência,
lançou o livro Madrasta - Quando o Homem da Sua Vida já Tem Filhos,
criou um site e organizou a Associação de Madrastas e Enteados (AME),
que tem feito encontros em São Paulo para discutir o tema.
ÉPOCA - Quais são os segredos para ser uma boa madrasta?
Roberta Palermo - Primeiro de tudo, deixar de lado qualquer tipo de
ciúme. Quem tem direito a ter ciúme são a crianças. É preciso se
colocar no lugar delas e também, se possível, no lugar da ex-mulher.
É difícil para todos, não só para a madrasta.
ÉPOCA - Quais são os erros mais comuns?
Roberta - Muitas mulheres falam mal da mãe das crianças na frente
delas, ou mesmo para elas, o que é inconcebível. Mesmo que seja de
forma indireta, a criança tem sensibilidade, percebe o clima hostil.
ÉPOCA - Madrasta deve dar bronca na criança ou só o pai?
Roberta - A madrasta pode falar se as regras na casa dela forem
diferentes das da casa da mãe das crianças. Isso as faz saber que
haverá ambientes diversos ao longo da vida. É melhor, porém, que o
pai inicialmente oriente a companheira sobre essas regras. Até para não
ouvir depois a famosa frase: ''Você não manda em mim!''.
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