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Uma sucessão de atrasos no horário de buscar a filha
na escola bastaram para que a doméstica Francisca Neide
Ramos, 26 anos, perdesse temporariamente a guarda da criança
H.B.R., de 5 anos. O último episódio do caso ocorreu no fim
da tarde do último dia 29, na Emei (Escola Municipal de
Educação Infantil) Lauro Gomes, Rudge Ramos, em São
Bernardo. Neste dia, a pessoa encarregada pela mãe de buscar
a menina na saída da aula se atrasou por uma hora e meia e
não encontrou mais a criança.
Na mesma noite, H. foi encaminhada para um abrigo mantido
pelo Conselho Tutelar da cidade, onde permanece com outras
crianças com idades entre zero e 5 anos. "Estou apavorada.
Não me deixam visitar minha filha", disse a empregada
doméstica. "Não sei se ela está sendo bem tratada. Ela é
muito apegada à família e acredito que isso a marcará
profundamente."
Segundo o conselheiro João , o isolamento é comum nesses
casos e poderá ser quebrado apenas com a permissão do juiz
da Vara da Infância e Juventude, que avaliará o caso. Há
dois dias, o Diário tenta entrar em contato com o
magistrado, mas até o fechamento desta edição não obteve
retorno. No Fórum de São Bernardo, existe um processo que
relata o incidente, mas o material corre sob segredo de
Justiça.
Funcionários do Conselho Tutelar de São Bernardo, no
entanto, informaram que a "negligência" de Francisca com
relação à filha é observada desde 2002. Além dos atrasos
recorrentes para buscar a criança na escola, também pesaram
na decisão de retirar temporariamente a guarda dos pais (que
são separados) as ausências da criança na escola, que
algumas vezes chegaram a se estender por até duas semanas
consecutivas.
"Isso realmente aconteceu, mas por problemas de saúde.
Minha filha tem asma e quando ela enfrenta crises eu não a
levo para a escola", defendeu-se Francisca. Nas vezes em que
isso ocorreu, a doméstica garantiu que a diretoria da Emei
recebeu atestados médicos.
Os pais da menina não têm antecedentes criminais e ambos
possuem emprego fixo. No dia em que a criança foi levada
pelo Conselho Tutelar ao abrigo, os responsáveis se
atrasaram por quase uma hora e meia além do horário de
buscar H. na escola. Segundo a mãe, a criança teria sido
levada por funcionários da escola a uma base comunitária da
Guarda Civil Municipal, a cerca de 200 m da Emei. Os agentes
teriam se encarregado de acionar os conselheiros.
A diretoria da escola não quis dar entrevista ao Diário,
mas a Secretaria da Educação de São Bernardo, por meio de
sua assessoria de imprensa, negou o fato relatado à
reportagem (também por agentes da guarda municipal e
conselheiros tutelares). Segundo a secretaria, a criança
teria permanecido por todo tempo dentro da escola até ser
levada ao conselho.
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