Jornal
Comarca de Garça - 13/09/2003
Pais
querem direito de conviver com os filhos (Primeira página)
A
Apase (Associação de Pais e Mães Separados), organização não governamental
fundada em 1997 em Florianópolis (SC), surge na região como uma “luz no fim
do túnel”, no tocante à luta pela guarda compartilhada aos filhos.
A
associação que iniciou atividades há cerca de dois meses em Marília, defende
e difunde a idéia de que “(...) os filhos de pais separados têm direito a
serem criados por qualquer um de seus genitores sem discriminação de sexo, e
promove a participação efetiva de ambos genitores no desenvolvimento dos
filhos”.
Pais
querem direito à convivência com os filhos (Página 7)
A
Apase (Associação de Pais e Mães Separados), organização não governamental
fundada em 1997 em Florianópolis (SC), surge na região como “uma luz no fim
do túnel” no tocante à luta pela guarda compartilhada dos filhos. A associação
que iniciou atividades há cerca de dois meses em Marília, defende e difunde a
idéia de “(...) os filhos de pais separados têm direito a serem criados por
qualquer um de seus genitores sem discriminação de sexo, e promove a participação
efetiva de ambos genitores no desenvolvimento dos filhos”. Aliás, a partir de
iniciativas das associações brasileiras a Guarda Compartilhada já tramita na
Câmara dos Deputados.
Segundo
o representante da Apase (Associação de Pais e Mães Separados), Edmilson
Almeida, que vive todas as dificuldades de um pai separado, o objetivo da Apase
é levar os casais de Garça, Marília e demais cidades da região, a discutirem
de maneira coerente a convivência saudável com os filhos após a separação.
“Hoje somos obrigados a sermos pais visitantes e o filho precisa de muito mais
do que isso”, afirmou.
Em
muitos casos, conta Almeida, os filhos servem de “moeda de troca” nas mãos
das mães que usam como uma ferramenta punitiva na não aceitação da separação.
É claro, que há pais que também se utilizam disso, no entanto, de acordo com
levantamento feito pela Apase, na grande maioria dos casos a guarda dos filhos
é da mãe. "“Dentro da Guarda Compartilhada o filho ficaria com os dois,
não seríamos meros visitantes de finais de semana”, comentou.
CONSEQUÊNCIAS
O
Direito de Convívio garante ao pai ou a mãe que não tem a guarda do filho a
garantia legal de conviver e participar do desenvolvimento social, educacional e
pedagógico da criança. Partindo desse princípio a Apase luta há alguns anos
pela guarda compartilhada legal ou jurídica, autorizada pela Legislação
Brasileira desde o Código Civil de 1916. Segundo o Código Civil, a única
limitação que a legislação sempre ofereceu ao genitor não guardião foi a
convivência com os filhos, restando a este, todos os outros direitos e deveres
do poder familiar, como o direito a dirigir a criação e educação, representá-lo
até os 16 anos nos atos da vida civil, e assisti-los após esta idade e os
demais direitos e deveres elencados nos art. 1634 do novo Código Civil.
Para
Almeida, esse relacionamento, insustentável entre pais e mãe na briga pelo
filho, vira uma tragédia na vida da criança. Segundo mostra o Departamento de
Serviços Humanos e Sociais do Governo dos Estados Unidos, “mais de um quarto
das crianças americanas são filhos de pais separados. Como conseqüência
desse corte na convivência familiar, meninas sem pai em suas vidas têm 2 vezes
e meia mais propensão a engravidarem na adolescência e 53% mais chances de
cometerem suicídio. Meninos têm 63% mais chances de fugirem de casa e 37% mais
possibilidade de utilizarem drogas. A mesma realidade é sentida no Brasil”.
ADESÃO
Há
dois meses, desde que os trabalhos da Apase de Marília foram iniciados, o tema
tem chamado a atenção de muitos pais separados que passam por situações
“limite”, não aceitando a restrição imposta pela Justiça. “Os pais que
nos procuram chegam com sede de revide com a ex-mulher, tendo idéias absurdas.
Nós temos o papel de moderador. Sabemos que a briga pela convivência deve ser
feita na Justiça, mas para isso o casal deve estar estruturado, para que a
criança seja colocada em primeiro lugar”, explicou.
O
representante da Apase em Marília, Edmilson Almeida disse ainda, que a associação
está aberta a colaboradores, como juizes, advogados e até mesmo a pessoas que
queiram trocar informações dentro deste processo pacificador.
“Toda
ajuda será bem-vinda. Queremos montar um grupo como os Alcoólatras Anônimos,
por exemplo, para evitar atitudes extremas, como tantas já noticiadas, como
suicídios e homicídios. Nosso objetivo é termos junto a Apase, também casais
separados estruturados, que possam servir de exemplo”, disse. Segundo o
representante, a associação está aberta, existindo a possibilidade de que um
grupo/representante seja instalado em Garça a partir da adesão de pais que se
enquadram nas situações descritas. Informações sobre a Apase e sobre Guarda
Compartilhada podem ser obtidas através do site www.apase.org.br ou pelos
telefones (14) 422-3529/9703-1219, e-mail edbraos@flash.tv.br. (Fontes: site da
Apase e Jornal da Manhã de Marília).