Madrasta também sofre

Como sou "coadjuvante" na história, ninguém parece se importar com o sofrimento que a madrasta suporta pela Alienação Parental que, em muitos casos, são direcionados a ela. Gostaria, se possível, fosse publicado no site da APASE.

Regina

A CULPA É DOS CONTOS DE FADAS?

Sou madrasta, e segundo as historinhas que ouvimos quando crianças, sou uma bruxa malvada, e carrego uma maçã envenenada.

O que faço, então, com esse sentimento de amor que sinto por minha princesinha?

Será que foram as madrastas que deram origem aos contos de “Fadas” ou, estes contos, que criaram as “más drastas”?

Sábado, dia de visita: Acordo, e logo recebo um beijinho: “Bom dia titia”!

Vou para cozinha preparar um leitinho com chocolate, um misto quente, que é totalmente devorado, tudo sem veneno. Fora o cafezinho e o suco, que faço para mim e meu marido. Tomo banho, então, saio com a minha Cinderela para o parquinho, nos dias que meu marido está trabalhando. Vamos cantando e conversando sobre as coisas que encontramos pelo caminho. Voltamos para casa e preparo um banho na banheira (bacia), onde enchemos de brinquedos para um banho divertido. Enquanto “Cindi” toma seu banho, aproveito para adiantar um gostoso almoço, pois esperamos papai chegar para comermos todos juntos. “Vamos, chega de banho”.”Titia faz cegonha?” Enrolada em uma toalha, segura pelas pontas, nossa princesa voa no bico de uma cegonha. Aí começa a tortura! Sorine infantil no nariz, cotonete para secar o nariz e as orelhas, com muito cuidado para não entrar nos ouvidos, creme hidratante no corpo, roupinha cheirosa e bem passada, creme nos cabelos e para terminar um penteado bem bonito. Acabado o sofrimento, volto para cozinha e termino de preparar o almoço. Papai chega. “Vamos papar”? “Titia a sua comida está uma delícia”. Será que é agora que acontece a tragédia? “Uhuuuu comeu tidinho”! Papai fica feliz com o apetite de leão de sua filhinha. Descansamos, e papai volta para o trabalho. Novamente a princesa fica sozinha aos cuidados de sua Mádrasta. “Titia, posso colocar um vestido seu”? Meio metro de gente enrolada em um monte de pano. Baton, sombra, blush, rímel e a princesa está vestida para um baile na corte.

“Titia, porque você usa aliança com o papai? Meu pai nuca quis usar aliança com minha mãe.”

“Titia, sabe por que minha mãe te odeia? Ela diz que você a traiu com meu pai quando eu estava na barriga dela”.

“Titia, minha mãe fala muito mal de você.”

Fim do dia, papai retorna do trabalho e toma frente nos cuidados da princesa, que agora pode se considerar sã e salva.

Domingo: “Bom dia titia”! Tudo novamente. Só que neste dia o papai vai ficar em casa e os três juntos vão passar um lindo dia! Hora de voltar para casa da mãe, o “anjo” que nesta história não morreu. “Titia, eu vou sentir saudades”! “Titia, eu não posso passar seu creme hidratante, por que minha mãe não deixa”. “Titia, você não vai com o papai me levar em casa não, não é? Se você for, minha mãe vai brigar”. “Não quero esta mulher, esta rapariga, esta falsa, esta desgraçada em frente a minha casa, senão eu a mato”!

Abraços, Beijos, lágrimas e uma enorme frustração. “Titia, nós somos amigas para sempre e nessa história minha mãe não está”.

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